sábado, 27 de agosto de 2016

O mundo é dos idosos

Programas de intercâmbio ganham cada vez mais adeptos da terceira idade

José Amaral, de 71 anos, durante intercâmbio no Canadá (Divulgação Belta)


Já faz tempo que a figura do avô e da avó deixou de ser aquela de poltrona, cozinha, TV e costura – hoje, eles fazem parte das redes sociais, do WhatsApp e estão mais preparados para enfrentar o mundo sem medo de julgamentos ou erros. Eles provam que nunca é tarde para realizar um sonho e continuar o aprendizado. Uma prova disso é que o número de idosos que fazem um intercâmbio está crescendo. Segundo pesquisas da Belta, Associação Brasileira Especializada em Educação Internacional, em 2012 eles eram apenas 2,4%, mas em 2015 já representam 7,7%.

“Isto quebra o paradigma de que os programas de intercâmbio são apenas para os jovens. Além disso, o turismo educacional contribui para a saúde da mente do idoso”, afirma Maura Leão, presidente da Belta. Conforme ela mesma conta, uma pesquisa realizada pela Universidade de Edimburgo (Escócia) aponta que pessoas fluentes em dois ou mais idiomas – mesmo que tenha aprendido na fase adulta – apresentam menos declínio cognitivo com o passar dos anos.

“Esse crescimento mostra que o idoso está se posicionando de forma a ter uma velhice mais proveitosa, inserindo-se na nova realidade em que vivemos. Ele irá se relacionar muito melhor com a família e a sociedade em geral, podendo usufruir uma vida ativa e feliz”, analisa. José Carlos do Amaral, de 71 anos, viajou sozinho para Vancouver (Canadá) para aprimorar o inglês e, dentro de pouco tempo, irá para Cape Town (África do Sul) onde ficará por mais 30 dias. A família deu todo o apoio para a viagem, impressionados com a coragem pelos novos e desafiadores ensinamentos.

Foram inúmeros benefícios pessoais que Vancouver trouxe à José Carlos. “A facilidade de relacionamento com as pessoas, entendendo melhor o modo de vida e captando as novidades culturais do povo; servindo de modelo para divulgação na minha cidade; vendo que muita coisa pode ser feita aqui para melhorar nossa qualidade de vida, entre tantas outras”, conta. Atualmente as escolas educacionais possuem diversos tipos de pacotes e vantagens para a terceira idade, desde comodidade em hotéis ou em casas de família – as preferidas pelos idosos -, estudos pela manhã e atividades turísticas no período da tarde com acompanhamento profissional e claro, a incrível troca de experiências.

Um dos fatores que tem contribuído para esse aumento na procura por intercâmbio é a expectativa de vida do brasileiro que vem aumentando ano a ano. Buscando uma vida mais saudável, com mais atividades físicas e com a consciência de que ter a aposentaria e ficar em casa não basta para ser feliz – afinal, é agora que terá tempo de sobra para aproveitá-la ao máximo -, os nossos “velhinhos” nos ensinam que nunca é tarde para sonhar, viver e aprender.



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