sábado, 6 de agosto de 2016

Pokémon GO: da ficção à realidade

Game inova mercado com receita antiga (e todos têm muito a ganhar com isso)

Pokémon GO é febre mundial

Talvez você já tenha ouvido falar em programas de gastronomia – e de uma forma geral à vida toda – que para se reinventar é necessário conhecer o básico. Ter uma base firme e sólida é o primeiro passo para uma receita de sucesso. É a partir disso que o nome da Nintendo voltou a ocupar o seu espaço das “boas notícias”. Talvez, aqueles que permanecem bem distantes do mundo dos games possam nem ao menos ligar esse nome a alguma coisa, mas com certeza, qualquer um já ouviu falar em Pokémon. Os monstrinhos fizeram parte da infância de muita gente nos anos 90, começando sua trajetória no famoso Game Boy e evoluindo para mangás, desenho animado, brinquedos, filmes e mais games.

Ser “um mestre Pokémon” era o sonho de muitas crianças, e que hoje faz parte da vida real graças a Pokémon GO – o aplicativo para Android e iOs com realidade aumentada que obriga o treinador a sair de casa e explorar todos os cantos da cidade em busca dos monstrinhos.  A realidade aumentada não é uma novidade para o mercado uma vez que já está em uso há pelo menos cinco anos, mas é um diferencial visto que poucos jogos se utilizam dela. Além disso, a tecnologia será mais difundida pelo mundo e poderá ser ainda mais aprimorada.

Para Lucas Ribeiro, game designer e responsável pelo curso de desenvolvimento de games da escola REDZERO, o jogo é uma experiência inovadora. “Devemos olhar para Pokémon GO como uma experiência rudimentar, mas super funcional e popular que tende a nos ajudar em um caminho rumo a um mundo sem telas, com uma Realidade Mista, que é a fusão da realidade aumentada com a realidade virtual. Ele tem a capacidade de revolucionar os jogos, inspirando desenvolvedores a criarem experiências mais expansíveis, mas, muito mais do que isso, tem a capacidade de ajudar a revolucionar a forma como interagimos com o mundo”, afirma.

E apesar de todos os alertas e notícias sobre os sérios riscos de segurança dos dados do usuário, Ribeiro é categórico ao se referir ao tema como uma espécie de “teoria da conspiração” e que tanto os jogadores quanto os estabelecimentos definidos pelo game como “Pokéstops” e “Ginásios”, tem muito a ganharem com essa novidade no Brasil. Está aí uma boa oportunidade de fazer negócio e espantar a crise: atrair os “treinadores pokémons”, criar eventos e utilizar isso de uma forma divertida e inteligente - uma floricultura em Curitiba chegou a fazer uma pequena promoção, convidando todos para irem pegar pokémons em seu estabelecimento e em troca ganhavam um brinde.

Diferente de outros games da mesma franquia, o foco de Pokémon GO é sair, literalmente, mundo afora e capturar os monstrinhos, seguido de paradas para pegar itens e objetos essenciais para sua evolução e batalhas em ginásios. Em outras palavras, sair do sofá e da frente da TV para andar pelas ruas (com toda a cautela que se deve ter no dia a dia). “Existem muitos benefícios como o senso de comunidade do jogo, fazer novos amigos enquanto caça pokémons pela cidade, participar de eventos e caçadas coletivas. É um hobby muito divertido”, analisa. E até mesmo, saudável.

Em apenas sete dias, Pokémon GO teve 10 milhões de downloads – deixando bem para trás os queridinhos Angry Birds – e hoje já passa dos 30 milhões pelo mundo. Isso porque ainda virão as atualizações, uma vez que a Niantic, desenvolvedora do game, informou que o público só conhece uma pequena porcentagem do projeto. As novidades virão, mas o sucesso é antigo. De um modo geral, a franquia de mídia de jogos é a segunda mais rentável no mercado, perdendo apenas para Mário, que também pertence à Nintendo. E tudo está tão bem encaixado, que até a música tema de abertura do desenho parece ter previsto o futuro de 20 anos depois do Game Boy...

“...Pelo mundo viajarei
Tentando encontrar
Um Pokémon e com o seu poder
Tudo transformar...”

2 comentários:

  1. Não sei se sou retrógrada, mas acho essas coisas muito perigosas. A evolução nos traz conforto, mas não esqueçamos que o criador tem em foco que é ganhar dinheiro, e, isso faz com que ele pouco se importe com as consequências.

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    1. Não é ser retrógrada não Cherisim. Devemos ter cautela, assim como com qualquer coisa em nossas vidas. O criador trabalha com isso e este o dever dele no seu dia a dia: ser inovador, criar os jogos para que façam sucesso. Esse é o seu sustento, assim como cada um de nós tem o seu trabalho. As consequências somos nós mesmos que faremos. - mas não há dúvida que tudo, tudo mesmo, tem um lado bom.

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