Testamos: Produtos da Petbrilho

Alguns produtos do mercado estão aí para nos ajudar. São infinitos “pipi pode”, “pipi não pode”, “anti mordedura”, “anti mutilação”, que todo dono de pet costuma ter em casa

Projeto criado por defensora incentiva leitura entre presidiárias

Iniciativa desenvolvida no Instituto Penal Oscar Stevenson contempla, com kits de produtos de higiene pessoal e beleza, detentas que leem regularmente. Pela regra atual, cada livro lido reduz a pena em quatros dias

3 exercícios para quem fica muito no celular

Ficar com o aparelho na mão pode comprometer a saúde do corpo

WhatsApp e redes sociais: pessoal e profissional não devem interferir um no outro

Uso das ferramentas online é cada vez mais comum por parte de empresas e funcionários, porém elas podem causar grandes desgastes nas relações trabalhistas e pessoais

Sustentabilidade nas pizzarias

Estabelecimentos apostam na saúde do meio ambiente para levar o melhor sabor à mesa

domingo, 22 de janeiro de 2017

Um filho especial e um companheiro de aventuras

Dificuldades, lágrimas e...sorrisos! Veja como a história de Ben e Bartô pode inspirar a sua vida na busca pela felicidade

Ben e Bartô indo passear

Tinha se passado apenas um mês quando Fabrícia conheceu Anderson pessoalmente – antes só se falavam pelo Orkut – e mais 30 dias depois estavam subindo ao altar. Parece um conto de fadas que deu certo e tem tudo para ser uma linda história de amor.  Eram pouco mais de 4h da manhã quando recebi o e-mail com as respostas de Fabrícia. “Ben estava agoniado com o calor e só queria colo, então o levei para dar uma volta e passei a noite balançando ele”, me contou naquele dia, mais tarde.

Em 9 de fevereiro de 2012, Fabrícia e Anderson corriam para o hospital logo de manhã, pois o caçula Bernardo estava para chegar ao mundo e mudar a vida da família, que já era composta por mais três “crianças”: Thalita, hoje com 16 anos e filha do primeiro casamento de Anderson; João, de 14 anos e filho do primeiro casamento de Fabrícia; e Manuella, de 7 anos. Apesar da gravidez tranqüila, a equipe médica notou que o menino não respirava normalmente e o levaram da sala cirúrgica - Anderson mal conseguiu vê-lo.

“Eu já estava no quarto quando o Anderson passou pelo corredor e eu gritei por ele e perguntei: ‘Você viu o nosso Bernardo?’ Ele me respondeu que não e que não tinha notícias dele. Então eu disse: ‘Tivemos um filho especial’”, conta Fabrícia. Seja por intuição ou não, ela estava certa. Ben, como é carinhosamente chamado por todos, nasceu com Síndrome de Pierre Robin, uma doença rara caracterizada por anomalias faciais como mandíbula muito pequena e queixo recuado, queda da língua para a garganta e fenda palatina – Nem mesmo os médicos sabiam o que ele tinha e tiveram que fazer uma pesquisa no Google. O pequeno bebê havia adquirido o nível mais severo da síndrome.
 
A rotina então passou a ser o hospital. Fabrícia, que na época morava em São Bernado, levantava cedo, pegava João na escola às 10h e seguia para São Paulo (atualmente eles residem no Guarujá, litoral do estado), onde passava o dia todo, até as 22h, ordenhando o leite que Bernardo precisava. Foram meses e meses internado, entre convulsões, sangramento no cérebro, anemia profunda (onde foram necessárias diversas bolsas de sangue) e uma parada cardíaca de 15 minutos, decorrente da tentativa de retirada do tubo de oxigênio. Com o sistema neurológico afetado, Ben não senta, não anda e não fala. A traqueostomia e a gastrotomia é o único meio que o caçula possui para respirar e se alimentar.  

Os anos seguintes não foram fáceis. Fabrícia – que acabou tendo também Síndrome do Pânico - precisa limpar a traqueostomia sempre que tiver secreção para que Bernardo não fique sem respirar. Chorou muitas vezes sem o apoio de ninguém, além de Anderson, que trabalha em São Paulo e mora em São Bernardo (durante a semana), e se emociona sempre com a história. Era ele, inclusive, que queria muito ter um cachorro da raça Pug, porém, além das questões financeiras, o pequeno Bernardo tinha pavor dos peludos de quatro patas. Venhamos e convenhamos, isso não é nada que um lindo filhotinho não possa mudar.

Fabrícia estava navegando pela internet quando se deparou com a foto de um belo cachorrinho preto e branco em um grupo de venda e doação. Apaixonada, conversou com os filhos João e Manu, que amaram a idéia, e com a enteada Thalita, para que ela a ajudasse, já que Ben às vezes precisa ficar internado e fazer tratamento em um hospital de Bauru. Depois de tanto insistirem no grupo de WhatsApp, Anderson aceitou a ideia.

Há um mês a família ganhou um novo integrante: Bartolomeu, nome de um anjo, escolhido por João. Bernardo não esboçou reações, não chorou e nem ficou assustado, até que no decorrer dos dias começou a sorrir ao olhar para Bartô. O filhotinho da raça Shih Tzu parece entender os momentos delicados da família: é muito sossegado, tranqüilo, quase não late e não come nada que seja deles ou da casa, nem mesmo chinelos. “Ele também parece compreender as limitações do Ben. Sempre vai em cima dele com cautela, quando ele coloca a mão morde bem devagar e gosta de lamber a baba do Ben”, conta, rindo.

O casal não quis impor limites. Bartô é livre para circular pela casa e Ben está no sofá ou na cadeira de rodas, o assistindo ir de um lado para outro. E foi desta forma, deixando os dois a vontade que Ben começou a tentar suas primeiras ações! Ele tenta se virar na cadeira para procurar e até mesmo se estica para brincar com o filhote. “Antes ele não fazia isso com nenhuma distração”.

Com o sucesso da história, Fabrícia criou a página As Aventuras de Ben e Bartô, no Facebook, onde compartilha os momentos divididos entre os dois. Ela e Anderson, que tem apenas 34 e 40 anos respectivamente, vivem uma vida construída em cima de instabilidades, mas que possuem um alicerce forte. O carinho que irradia de suas palavras mostra o amor que existe ali em diversas vertentes: o amor do casamento, o amor dos filhos, o amor de Ben, o amor de Bartô. As dificuldades permanecem, mas foram elas que fizeram os sorrisos mais sinceros - aqueles que, por muitas vezes, escondem também as lágrimas – e onde descobrimos o “por quê” e “pelo que” vale a pena viver.    

Ben e Bartô prontos para a foto

 
A família reunida, ainda sem Bartolomeu