domingo, 22 de janeiro de 2017

Um filho especial e um companheiro de aventuras

Dificuldades, lágrimas e...sorrisos! Veja como a história de Ben e Bartô pode inspirar a sua vida na busca pela felicidade

Ben e Bartô indo passear

Tinha se passado apenas um mês quando Fabrícia conheceu Anderson pessoalmente – antes só se falavam pelo Orkut – e mais 30 dias depois estavam subindo ao altar. Parece um conto de fadas que deu certo e tem tudo para ser uma linda história de amor.  Eram pouco mais de 4h da manhã quando recebi o e-mail com as respostas de Fabrícia. “Ben estava agoniado com o calor e só queria colo, então o levei para dar uma volta e passei a noite balançando ele”, me contou naquele dia, mais tarde.

Em 9 de fevereiro de 2012, Fabrícia e Anderson corriam para o hospital logo de manhã, pois o caçula Bernardo estava para chegar ao mundo e mudar a vida da família, que já era composta por mais três “crianças”: Thalita, hoje com 16 anos e filha do primeiro casamento de Anderson; João, de 14 anos e filho do primeiro casamento de Fabrícia; e Manuella, de 7 anos. Apesar da gravidez tranqüila, a equipe médica notou que o menino não respirava normalmente e o levaram da sala cirúrgica - Anderson mal conseguiu vê-lo.

“Eu já estava no quarto quando o Anderson passou pelo corredor e eu gritei por ele e perguntei: ‘Você viu o nosso Bernardo?’ Ele me respondeu que não e que não tinha notícias dele. Então eu disse: ‘Tivemos um filho especial’”, conta Fabrícia. Seja por intuição ou não, ela estava certa. Ben, como é carinhosamente chamado por todos, nasceu com Síndrome de Pierre Robin, uma doença rara caracterizada por anomalias faciais como mandíbula muito pequena e queixo recuado, queda da língua para a garganta e fenda palatina – Nem mesmo os médicos sabiam o que ele tinha e tiveram que fazer uma pesquisa no Google. O pequeno bebê havia adquirido o nível mais severo da síndrome.
 
A rotina então passou a ser o hospital. Fabrícia, que na época morava em São Bernado, levantava cedo, pegava João na escola às 10h e seguia para São Paulo (atualmente eles residem no Guarujá, litoral do estado), onde passava o dia todo, até as 22h, ordenhando o leite que Bernardo precisava. Foram meses e meses internado, entre convulsões, sangramento no cérebro, anemia profunda (onde foram necessárias diversas bolsas de sangue) e uma parada cardíaca de 15 minutos, decorrente da tentativa de retirada do tubo de oxigênio. Com o sistema neurológico afetado, Ben não senta, não anda e não fala. A traqueostomia e a gastrotomia é o único meio que o caçula possui para respirar e se alimentar.  

Os anos seguintes não foram fáceis. Fabrícia – que acabou tendo também Síndrome do Pânico - precisa limpar a traqueostomia sempre que tiver secreção para que Bernardo não fique sem respirar. Chorou muitas vezes sem o apoio de ninguém, além de Anderson, que trabalha em São Paulo e mora em São Bernardo (durante a semana), e se emociona sempre com a história. Era ele, inclusive, que queria muito ter um cachorro da raça Pug, porém, além das questões financeiras, o pequeno Bernardo tinha pavor dos peludos de quatro patas. Venhamos e convenhamos, isso não é nada que um lindo filhotinho não possa mudar.

Fabrícia estava navegando pela internet quando se deparou com a foto de um belo cachorrinho preto e branco em um grupo de venda e doação. Apaixonada, conversou com os filhos João e Manu, que amaram a idéia, e com a enteada Thalita, para que ela a ajudasse, já que Ben às vezes precisa ficar internado e fazer tratamento em um hospital de Bauru. Depois de tanto insistirem no grupo de WhatsApp, Anderson aceitou a ideia.

Há um mês a família ganhou um novo integrante: Bartolomeu, nome de um anjo, escolhido por João. Bernardo não esboçou reações, não chorou e nem ficou assustado, até que no decorrer dos dias começou a sorrir ao olhar para Bartô. O filhotinho da raça Shih Tzu parece entender os momentos delicados da família: é muito sossegado, tranqüilo, quase não late e não come nada que seja deles ou da casa, nem mesmo chinelos. “Ele também parece compreender as limitações do Ben. Sempre vai em cima dele com cautela, quando ele coloca a mão morde bem devagar e gosta de lamber a baba do Ben”, conta, rindo.

O casal não quis impor limites. Bartô é livre para circular pela casa e Ben está no sofá ou na cadeira de rodas, o assistindo ir de um lado para outro. E foi desta forma, deixando os dois a vontade que Ben começou a tentar suas primeiras ações! Ele tenta se virar na cadeira para procurar e até mesmo se estica para brincar com o filhote. “Antes ele não fazia isso com nenhuma distração”.

Com o sucesso da história, Fabrícia criou a página As Aventuras de Ben e Bartô, no Facebook, onde compartilha os momentos divididos entre os dois. Ela e Anderson, que tem apenas 34 e 40 anos respectivamente, vivem uma vida construída em cima de instabilidades, mas que possuem um alicerce forte. O carinho que irradia de suas palavras mostra o amor que existe ali em diversas vertentes: o amor do casamento, o amor dos filhos, o amor de Ben, o amor de Bartô. As dificuldades permanecem, mas foram elas que fizeram os sorrisos mais sinceros - aqueles que, por muitas vezes, escondem também as lágrimas – e onde descobrimos o “por quê” e “pelo que” vale a pena viver.    

Ben e Bartô prontos para a foto

 
A família reunida, ainda sem Bartolomeu

2 comentários:

  1. Amo essa familia!!!! Be (URSO FORTE). Amo esse cotoco!!!! Lindo !!!! Forte!!! Minha querida amiga Fa, admirável sempre por suas alegria em meio as tribulações....
    Merecem a felicidade sem restrições! !!!❤

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  2. Amo essa familia!!!! Be (URSO FORTE). Amo esse cotoco!!!! Lindo !!!! Forte!!! Minha querida amiga Fa, admirável sempre por suas alegria em meio as tribulações....
    Merecem a felicidade sem restrições! !!!❤

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