domingo, 23 de abril de 2017

ONG paranaense ajudará crianças no Quênia através da agricultura

Modelo inovador de geração de recursos executado pela Endeleza Internacional vai garantir a autonomia de no interior do país por meio de uma atividade produtiva: a agricultura. Expectativa é que até 2020 mais de US$ 1 milhão de dólares sejam arrecadados e convertidos em benefícios por meio do projeto. 

Divulgação

No final de abril, começa a colheita de mais de 60 toneladas de cebola plantadas em cinco acres de terra localizadas no interior do terreno da Escola Primária de Mugae. Esta primeira safra dá o ponta pé inicial no programa Escola Primária Sustentável (EPS), executado pela Endeleza Internacional no Quênia. Até 2018, o novo projeto da entidade vai gerar cerca de US$ 90 mil dólares a partir da comercialização do produto agrícola no mercado aberto de Gakaromone, no condado de Meru. Todo o valor arrecadado nos próximos quatro anos de projeto serão revertidos em benefícios à comunidade local.

Desde 2011, a Endeleza Internacional, que tem sede na capital paranaense, tem atuado no Quênia para ajudar na inclusão de crianças no ensino primário. Como o sistema educacional do país, apesar de público, não é gratuito, a população é encarregada de custear as despesas que os filhos têm na escola, como merenda, material didático e uniforme, além do salário dos professores.

No entanto, são poucas as famílias que conseguem arcar com os custos da educação. De acordo com dados de 2014 da UNESCO, o Quênia é um dos países com maior número de crianças fora da escola, contabilizando mais de 1 milhão. Apesar da expectativa de que uma criança tenha vida escolar de no mínimo 11 anos, lá a média nacional cai para 6.

Como toda organização do terceiro setor sabe, o desafio de gerar e manter recursos é imenso. Para garantir a autonomia financeira e social das comunidades atendidas no país, conta José Seleme, co-fundador e presidente da entidade, foi necessário pensar em um modelo de desenvolvimento sustentável inovador.“A ideia de capacitar a própria escola como fonte geradora de recursos surgiu da necessidade de quebrar os vínculos de dependência com doadores e da comunidade sobre nossos projetos”, explica.

Nos próximos quatro anos, todos os recursos gerados por meio da agricultura vão garantir a longo prazo a autossuficiência da escola, que atualmente atende alunos entre 3 e 15 anos em oito anos de ensino primário (standard 1-8), além de dois anos iniciais de pré-educação. Como as famílias dos alunos serão responsáveis, no futuro, pelo gerenciamento do programa, com a renda do programa será possível não só manter o funcionamento da escola mas também gerar postos fixos de trabalho - professores e funcionários responsáveis pela colheita.

0 comentários:

Postar um comentário