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domingo, 28 de maio de 2017

WhatsApp e redes sociais: pessoal e profissional não devem interferir um no outro

Uso das ferramentas online é cada vez mais comum por parte de empresas e funcionários, porém elas podem causar grandes desgastes nas relações trabalhistas e pessoais

Andrea Deis, gestora empresarial

Cada vez mais os brasileiros utilizam e acessam as redes sociais, seja para manter contato com os amigos ou para compartilhar assuntos e acompanhar temas de interesse pessoal. Porém, as empresas também estudaram o grande potencial que as mídias digitais podem trazer ao mundo corporativo e seus investimentos. Isso fez com que funcionários e empresários passassem a utilizar suas redes sociais pessoais para falarem de assuntos profissionais, utilizando-se dessas ferramentas para fazer marketing de produtos e serviços ou ainda estreitar relacionamento com o cliente.

Mas, o que fazer quando o seu chefe ou um cliente envia uma mensagem no WhatsApp às 23h, por exemplo? Uma mulher, como funcionária, não poderá mais postar aquela foto na praia e de biquíni, sendo amiga de um cliente? Um homem não poderá mais postar aquela foto no bar com os amigos de infância? Não poderá mais falar em política ou religião - Tudo isso por “medo” de perder clientes. É neste ponto que as vidas pessoal e profissional começam a se misturar e isto pode não ter um resultado agradável tanto para empresas quanto para os colaboradores.

“O ideal é que a organização contrate esse tipo de serviço e orientações especializadas por profissionais gabaritados e crie estrutura para o funcionamento desse sistema. De qualquer modo, sou favorável a uma boa conversa entre os pares. Afinal, há uma frase que me acompanha e acredito que possa minimizar toda e qualquer divergência: conversando a gente se entende”, afirma Reinaldo Passadori, CEO do Instituto Passadori. No entanto, a maioria das empresas não possuem um aplicativo próprio para conversas e os funcionários são obrigados a utilizarem do seu pessoal para tratar de assuntos do trabalho, como ocorre com o WhatsApp. Dependendo da situação, isto pode ser considerado invasão de privacidade ou até mesmo assédio moral por abuso de poder. Portanto, é preciso estar alerta.

A interação exacerbada da vida profissional poderá também trazer consequências emocionais e gerar estresses desnecessários que provocarão desgastes no dia a dia da empresa. “Utilizados de forma excessiva e negativa, elas podem se tornar “armas” de pressão e vínculos negativos. Colaboradores podem se sentir vigiados, controlados ou até pressionados por chefes que utilizam as redes no ambiente profissional”, esclarece a psicóloga e coach de saúde e bem-estar, Sharon Feder.  Ela ressalta também a importância da linguagem assertiva de se comunicar pelas redes sociais e a hora mais pertinente ao assunto. “Muitas vezes as pessoas acabam usando o Whatsapp para discutir, pressionar ou cobrar e isso deve ser feito com cuidado, respeitando limites, como horários. Além disso, precisamos evitar a comunicação violenta em qualquer meio de comunicação e procurar se relacionar com linguagens positivas”, diz.

Para Andrea Deis, gestora empresarial pela FGV, o problema não é usar as redes sociais, mas sim como usá-las. Para ela, a marca precisa ter o seu próprio posicionamento e o funcionário deve ser o meio, mas não o fim. O colaborador tem que cuidar de sua carreira e se posicionar no mercado com o que ele sabe fazer, construindo a sua imagem profissional. “A partir do momento que o funcionário valoriza somente o produto ou serviço da sua empresa ela está deixando de lado o posicionamento e formação da sua carreira da sua imagem. A empresa, por sua vez, não nasce com a sua identidade e sim com a do seu funcionário, que poderá ser confundida pelo seu público e até perdê-la para seu funcionário. Portanto cada um deve estar no seu lugar, cumprindo seu papel para que os dois ganhem no futuro”, analisa a gestora.

As empresas portanto, não devem interferir nas redes sociais de seus colaboradores pois ele tem o direito de postar o que deseja. Porém, ele também deve entender que a postagem chegará aos olhos e ouvidos de qualquer pessoa que possa julgar e tomar atitudes baseadas em seu conteúdo. Diante deste cenário a melhor alternativa continua sendo o bom senso e a conversa. Passadori ressalta que se esta é uma nova sistemática, geradora de mudanças nos sistemas tradicionais e propiciem um avanço, deverá ser adotada sem preconceitos e naturalmente, porém, em comum acordo. “O que se pode fazer é estabelecer alguns benefícios e convidar, para contar com essa possibilidade. Por isso que acordos poderão ser feitos, trazendo benefícios para ambas as partes”, finaliza.

As pesquisas de interação social em redes como Facebook, por exemplo, mostram um cenário um tanto desfavorável para o campo de negócios. De acordo com a pesquisa “Papo Social 2.0”, da Hello Research, a cada 10 brasileiros conectados nas redes, 7 as utilizam para acompanhar o que acontece no dia a dia de familiares e amigos, enquanto apenas 1 utiliza para assuntos profissionais. 58% das postagens que nós fazemos são sobre coisas pessoais enquanto 25% estão relacionadas ao trabalho e nas páginas das marcas e empresas, 54% das pessoas já deixaram de seguir por conteúdo irrelevante ou assuntos repetitivos. Em outras palavras, por mais que as empresas e marcas desejem que seus colaboradores compartilhem informações, é preciso ter uma ação assertiva, se não, de nada valem. 





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